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Renamo e MDM: uma disputa pelo segundo lugar?

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Lázaro Mabunda falava em torno das disercoes no MDM, pois tudo indica que a luta da Renamo e enfraquecer ouros partidos da oposicao e continuar no segundo lugar.
Lazaro Mabunda escreveu:

Definitivamente, estou a concluir que a agenda da Renamo não passa pela conquista do poder. O seu adversário político não é a Frelimo, mas a luta é pelo segundo lugar, ser eterna oposição à Frelimo. O seu adversário é o MDM, não a Frelimo.
Depois de Venâncio Mondlane, hoje foi a vez de Manuel de Araujo renunciar o MDM e eventualmente amanhã será anunciado como reforço da Renamo, entenda-se cabeça de lista da Renamo para Quelimane. Brevemente, novos membros do MDM serão anunciados na Renamo.
Embora o desamparado Deviz Simango negue a crise no MDM, a verdade é que o MDM está em crise interna profunda. Talvez a maior desde a sua criação.
Esta crise, os golpes que está a sofrer da Renamo, impõe ao próprio Deviz uma reflexão profunda sobre a sua liderança. Sempre defendi que o MDM deve ser um partido diferente, com um novo modelo de governação e não uma réplica da Frelimo e da Renamo, incluindo os seus modelos de governação intra-partidária. Parece-me que Deviz tenta implementar um modelo de Dhlakama, mas esquece que Dhlakama era militar e líder carismático. Ele nunca foi militar nem carismático, talvez um gestor razoável.
No parlamento, as posições da Renamo e do MDM foram sempre condicionadas pela agenda e posicionamentos da Frelimo. Quando a Frelimo tomasse posição sobre determinado assunto ou política pública, se o MDM apoiasse a Frelimo, a Renamo ia na posição inversa. Quando a Renamo apoiasse a Frelimo, o MDM fazia contramão. Raras vezes as duas forças se uniram contra a Frelimo. A Frelimo funcionou como modelo dos dois partidos.
Quando mais se esperava uma coligação para enfrentar e eventualmente tirar a Frelimo do poder, eis que as suas lideranças fazem tudo ao contrário: combaterem-se ferozmente. Enquanto se combatem, a Frelimo vai assistindo e preparando-se para mais uma vez manter-se no poder.
Na história de Moçambique pós 1990 nunca houve tanta impopularidade da Frelimo como nos últimos cinco anos. Talvez nunca houve tanta possibilidade da vitória da oposição quanto hoje. Mas infelizmente, a oposição tem outra agenda: lutar pelo segundo lugar que lhe garante ser a principal oposição à Frelimo do que pela conquista, pela primeira vez, do poder.
O que está a acontecer agora com a Renamo e o MDM assistiu-se em muitos países africanos na década 90.
A história da democracia em África mostra que onde a oposição gastou seu tempo a combater-se os partidos no governo reconquistaram o poder . Onde a oposição esteve coesa, os partidos governantes foram, na maioria dos casos, derrotados.
Estamos fritos, sem oposição unida, com mais Frelimo abusador, como dizem os brasileiros.

Lazaro Mabunda
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